Por que as mulheres não precisam temer um homem que aprende de fato a ser sedutor?

Tudo aquilo que um homem aprende que leva uma mulher a se sentir atraída por ele é essencialmente apenas “comunicar valor”. Até existe a possibilidade de que se aprenda a fazer esta comunicação objetiva sem que haja de fato “um sujeito de valor “por trás desta”. Porém, assim como qualquer mentira, isso não se sustenta no tempo. Pessoas, no caso em questão mulheres, desenvolvem recursos para detectar inverdades.

Assédio não é um privilégio masculino. Mulheres também são processadas por assédio sexual e abuso pelo mundo. O que leva as estatísticas a expor um maior número de assediadores entre homens é menos ligado a características instintivas, que à história dos valores culturais que segregaram a mulher e sua liberdade sexual. Se a cultura machista se dissolver de vez, os números de assédiadores tenderão a se balancear para os dois gêneros.

Um homem de valor não assedia a mulher em que está interessado. Ele interage com ela de forma natural. Ela apenas consegue supor que ele “pode estar se interessando por ela” no momento em que eles estão se conhecendo. Essa dinâmica para a qual ela apreciará muito contribuir é há muito conhecida pelo nome “flerte”. É algo extremamente prazerozo de se vivenciar por si só. O sucesso neste “jogo” resulta em tornar-se, ponto por ponto, magneticamente mais atraente para a outra pessoa.

No momento em que o contato físico é desejado, não há que se falar em assédio, mas em provimento. Este que, então, é dado na medida proporcional à necessidade percebida. Ambos seguindo esta dinâmica acabam se enamorando de maneira natural.

Comunicar valor não é o mesmo que “falar sobre este”. Quando alguém fala bem de si, tentando “convencer outros” a o valorizarem, o que de fato está fazendo é “gabar-se”, “embuste”. Isso tem justamente o efeito contrário ao pretendido. A pessoa que se gaba é flagrantemente mal vista socialmente. O segredo está na maneira de se comportar.

O comportamento que comunica valor naturalmente é um reflexo autêntico da atitude interna. Esta, por sua vez, é produto de uma expressão contínua das crenças do inivíduo. Crenças são como uma árvore, cujas raízes são feitas de valores pessoais. Estes, por fim, são escolhas feitas contumazmente e refletem as características mais profundas da identidade de quem os exerce.

É comum se dizer que os valores éticos de alguém são o seu “caráter”. Por isso que uma pessoa com conduta moral ilibada e respeitável é reconhecida como “de bom caráter”. Isso é um sentido figurado na realidade. Caráter em si é sinônimo de identidade, ou seja, aquilo que faz de alguém quem ele é. O que define uma identidade são as escolhas que se faz sobre qualquer tipo de preferência ou preterição. Diz-se que “gosto ou desgosto” são totalmente “subjetivos”. Pois é isso de que se trata a identidade. Caráter passa a ser o termo utilizado para tratar da parte intrapessoal e moral desta.

Uma pessoa torna-se cada vez mais interessante quanto mais complexo for o seu caráter. Quanto mais consciência das inúmeras pequenas coisas que definem quem ela é ela tiver, maior autonomia e autoconfiança ela terá. Quando se olha para um indivíduo e se percebe “alguém que sabe o que quer”, vê-se na verdade “alguém que sabe quem é”.

Esta maturidade de caráter é a essência do carisma, conforme o conceito concebido por Max Weber há muito tempo atrás. Esse “atributo de poder pessoal” fundamenta todo o potencial de influenciar as outras pessoas. Uma pessoa carismática:

—  “Lidera” ao tomar uma iniciativa e ser observada por outras – ela tende a ser seguida.

— “Instila emoções” ao se comunicar com impacto.

— “Inspira” ao dar fé a um conteúdo ou objetivo – pois transpira segurança e autoridade.

Um homem amadurecido, então, acaba por ser minimamente carismático. Mesmo se introspectivo, ao conversar em seus círculos menores, ele é exemplo do mesmo fenômeno. Esta maturidade, ao ser reconhecida por uma mulher ativa seus instintos, conferindo “valor”, “status”, ao homem ali presente. A diferença do nível de status entre aquele em que ela se percebe e aquele em que ele se encontra produz efeito de “atração”, quando ela o vê em
posição superior nesta escala. Quando ela percebe o próprio nível de valor como superior ao dele, dá-se “repulsão”.

É possível emular os comportamentos de um homem de caráter sem sê-lo de fato. Para tal, basta apenas se ensaiar determinadas rotinas que projetam um tipo de “personagem”. Este no entanto, não deixa de ser uma versão mais aperfeiçoada de quem se é de verdade. É difícil manter uma coerência de comportamentos quando se não tem um suprimento real na identidade, porém o exercício de aplicar tais rotinas sobre as mulheres afim de provocar respostas em seus comportamentos é essencialmente uma forma extrememente eficaz de se desenvolver de fato os atributos necessários para se ser daquela forma.

As mulheres quando sentem uma incoerência “testam” intuitivamente. Elas colocam o homem ali em uma situação de ter de tomar uma decisão. Geralmente isto implica em dizer “não” a um pedido, ou a “defender-se” de forma construtiva de um desrespeito. Ora, dizer “não” e “impor limites” são competências de “firmeza de caráter”, de quem tem identidade. Como é evidente que enfrentar desafios específicos em determinada atividade amplia a eficácia pessoal nesta, é uma conclusão logicamente irrefutável que as mulheres ajudam fortemente no desenvolvimento da maturidade masculina.

A mulher se beneficia disso amplamente, até mais que o homem. Ela tem o poder de dispensar aqueles que não têm valor para ela. Quando têm, ela mesma será quem irá desejá-los da mesma forma que deseja sapatos caros na vitrine da loja. Quanto mais ela for exigente, melhor terão de ser os esforços dos homens para serem suas melhores versões. Ela, por sua vez, terá sempre mais valor à sua disposição. Isso é e precisa ser sempre uma troca em que ambos
ganham. Quando não é assim, ela fez uma má escolha, pois o poder de decisão é dela, e também aprenderá com isso. Se ela erra, ele se infantiliza um pouco, por ver resultados positivos em se comportar de maneira imatura.

No mundo da igualdade e liberdades civis, sexo não é algo que “o homem toma das mulheres e paga com casamento”. Sexo é uma atividade saudável e agradável que duas pessoas se voluntariam para fazer juntas. Se não é desejado e aproveitado por ambas, uma delas está se prostituindo ou sendo violentada, e a outra está se masturbando com o corpo da primeira. Logo, assim, não pode ser sexo de fato.

Quanto mais os homens aprendem de fato a ser sedutores, menos “machistas” eles acabam sendo. O machismo pressupôe controle do homem sobre a mulher. Esse controle é fundamentalmente baseado em ele assegurar que ele tenha sexo quado quer. Se ele for um homem sedutor por caráter, ele superou essa necessidade imatura de “forçar” alguém ao seu controle para garantir a satisfação de suas necessidades. Ele atrai pessoas que desejam voluntariamente trocar com ele a satisfação de ambos. Caráter e maturidade deveriam ser as coisas mais importantes que homens ou mulheres pretendessem buscar e inspirar um no outro. De maneira mutuamente complementar, homens e mulheres foram feitos para fazerem bem um ao outro, não por necessidade, mas por pura e legítima vontade.