Tributo ao Conflito – Como lidar com “valentões”?

O momento do conflito eternizado

Chi Sau_Conflito simbólico

O “valentão” é julgamento que você faz da pessoa que em determinado momento faz com que outros façam o que ela quer através de intimidação. É importante saber que a ação do outro é o problema, e que sobre isso você pode agir. A natureza interna do outro em si a gente não muda. Ela está no mundo dele e é problema dele.
Sabendo disso, como agir no momento em que alguém tenta te “intimidar”?
Primeiramente observe a situação. É um bandido armado apontando a arma para a sua cabeça que está te intimidando? É um policial na blitz da lei seca e você está bêbado e com a carteira vencida?
Para qualquer caso assim, melhor ficar intimidado mesmo. Significa responder obedecendo aos comandos e procurando não contrariar.
Porém, na maioria das vezes em que se enfrenta um valentão não é assim. Vai ser incômodo ler isso, mas é importante que você saiba que é você que está “atraindo” um “espírito valentão” dentro das outras pessoas. Isso mesmo! Você faz isso sem querer, claro! De forma geral você está emitindo sinais de fraqueza e predisposição à ceder sua vontade para “todos” à sua volta.
Não fique preocupado. Isso vem de um traço positivo em você, de valores nobres bem estruturados. Você é solícito? Atencioso? Você se importa com os sentimentos dos outros? Gosta de ser gentil etc? Isso tudo é interessante se ser, só que é necessário um pequeno mas importantíssimo detalhe: Primeiro vem você, depois os outros.
O que isso quer dizer? O que tem a ver com enfrentar o valentão? Quando alguém vem te intimidar, essa pessoa espera que você reaja ao medo que ela faz você sentir. Então, lembre-se sempre: “Entre o estímulo e a resposta há sempre uma escolha”. Se você sabe do seu território, das suas preferências e valores, quando alguém desrespeita seus limites a resposta invariavelmente é impor este limite a ela. Isso significa dizer “não”, ou seja, que não vai fazer, que não vai dar, que não admite ser tratado daquela maneira, ou aquele comportamento na sua casa, com sua esposa etc. Isso é “enfrentar”. Observe que não se trata de chamar o “valentão” para as vias de fato, mas de se impor o limite com firmeza, sem fugir do conflito.
Em geral, posso dizer que a resposta apropriada inclui voltar-se diretamente para o “valentão”, encará-lo nos olhos mantendo a cabeça alta, ouvi-lo atentamente, esperar, e dizer “não” sem dar qualquer explicação.
Por que a ênfase em não explicar, Carlos?
Porque ele é quem tem uma necessidade, ele quem está desrespeitando você, seu espaço, sua identidade; Porque sua vontade de explicar a ele seu “porquê não” está ligada apenas a um vício interno seu de ser gentil, de ajudar o outro a conseguir o que quer. Como você sentiu que ele tem uma necessidade, você, com sua natureza bem educada em altruísmo, não está muito bem experiente para perceber que está sofrendo um abuso, que é preciso se defender ali na hora.
Note que estou mesmo dizendo para você não fugir do conflito. Enfrentar, negar, demandar respeito não são condutas pouco pacíficas. Muitos sem perceber deixam de buscar seus interesses, de exercer sua dignidade, por verem o conflito em preto e branco, ou seja, ou não há atritos, ou tudo é violência. Estes acabam sendo vítimas de pessoas abusivas como “valentões”, “entrões”, “malandros”, “coitadistas” etc. A responsabilidade por se defender é de quem sofre o desrespeito. Por incrível que pareça, o indivíduo com a maior competência para jamais entrar em uma situação de violência mesmo é justamente aquele que sabe “brigar” nesses momentos de responder com enfrentamento quem os tenta intimidar, violar, enganar, abusar…
Para ajudar aos outros, antes é necessário ter as próprias necessidades atendidas. Se você estiver em um avião e a cabine despressurizar, melhor colocar a máscara em si primeiro. Se tentar ajudar a pessoa ao lado antes, você e ela vão morrer, pois antes de terminar de fazer isso você vai desmaiar. Se quer ser altruísta, crie excedente e seja generoso com este. Você é uma galinha de ovos de ouro. Torne o mundo mais rico a vida inteira, vendendo seus ovos, mas não pule no caldeirão para virar canja.

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