O que significa trabalhar sobre si mesmo? – Teoria da Personificação

O que seria fazer um bom trabalho?

A pergunta não é relacionada ao resultado especificamente para o ponto a chegar. Trata-se do ato de trabalhar bem, no que diz respeito a se estar produzindo valor, no momento em que este está sendo desempenhado. Como julgar o que é “se estar trabalhando bem” em distinção ao que é “se estar trabalhando mal”?

http://www.br.isotools.org/wp-content/uploads/2013/07/normalizado.pngA ideia mais óbvia certamente trata da eficiência do processo: o quanto de energia, tempo, recursos se está utilizando para realizar cada objetivo. É preciso reiterar sobre o foco não ser no objeto-produto do esforço como referência. Trata-se do “sujeito” desse esforço. Se o objeto fosse foco, a experiência de quem empreende não seria nada mais que um possível empecilho à qualidade do resultado. Sendo o sujeito o ponto focal, caso ele esteja experimentando sofrimento ao criar um objeto resultante, a qualidade do esforço estaria aquém da excelência.

http://hralignment.net/images/performance-management.jpgÉ importante fazer a distinção entre sofrimento e esforço. Muito se confunde isso, apesar das linhas sequer se tangenciarem nestes conceitos de tão distintos. Esforço é a simples ação de aplicar recursos para atingir resultados escolhidos. Sofrimento é a tentativa de controlar coisas que estão fora do próprio círculo de influência – é “desperdiçar o esforço”. A confusão acontece porque esforço gera desconforto, e este pode ser idêntico à experiência do sofrimento, salvo pelo detalhe crucial deste ter um propósito inerente. Tentar derrubar um muro de concreto com as mãos vai gerar suor, mãos quebradas, muita dor e desconforto, além da frustração da inevitabilidade da falha. Fazer o mesmo usando uma ferramenta apropriada é um esforço que “faz sentido”, pois certamente levará ao resultado escolhido previamente. Sem ferramenta, a energia empregada é obviamente sem propósito, logo todo o desconforto e dor envolvidos são “sofrimento”. Com a ferramenta, todas essas sensações estão relacionadas ao resultado. O tempo, o suor, o mal-estar, as mãos e músculos doloridos têm um “para quê”. Há influência das ações sobre o resultado, logo não se pode falar em “sofrimento”.

http://midiaeducacao.com.br/wp-content/uploads/2013/06/010-excelencia.jpg“Trabalhar bem” então é “ver o propósito do que se está fazendo”, é “estar comprometido com a experiência de criar valor com excelência”, é acima de tudo “fazer porque quer fazer, não por temer passar vergonha ou perder alguma coisa”. A nossa realidade no mundo em geral é justamente estruturada para que todos façam por medo, mesmo que a ameaça não seja patente e concretamente realizada pela figura de um chefe ou afim. Isso é assim pois é a forma de controlar o padrão médio de comportamento de pessoas sem precisar inspirá-las, reconhecê-las, liderá-las. O medo leva à ação sem que que a pessoa pare para tomar uma decisão. Ela simplesmente reage sem pensar, movida pelo instinto de sobreviver.

http://resources1.news.com.au/images/2012/09/14/1226473/998185-china-lonely-planet-escape.jpgComo enxergar propósito no que se está fazendo é um desafio e uma competência a desenvolver continuamente. Ficar bom nisso torna alguém capaz de apreciar qualquer experiência no momento presente, encontrando deleite no simples fato de estar ampliando sua capacidade de criar um resultado e poder oferecê-lo ao mundo. Obviamente isso não é simples e para cada tipo de contexto e atividade, fora as características da pessoa em si, a dificuldade de fazê-lo é diferente. Praticar um esporte coletivo com os amigos em geral é mais fácil de se aprender a aproveitar que arar a terra sob sol forte. Ainda assim, há mais felicidade entre lavradores de arroz na china mais pobre, que entre corretores de ações de Wall Street.

http://www.adaptabilitycoach.com/wp-content/uploads/2013/12/Peak-performance-in-Life-image.jpgEncontrar o ponto em que se começa a se ver em um caminho contínuo de desenvolvimento em diversas coisas que se escolheu, percebendo-se capaz de encarar todos os desafios que venham sem convite como “jogos que apenas não se aprendeu as regras ainda para poder aproveitá-los”, é mais que um objetivo estratégico, é uma “visão de vida”. Estar completamente apto a processar os estímulos da realidade dessa forma é uma tarefa impossível. O que se consegue é a tão conhecida excelência. Sempre se fica melhor. Isso, por provocar a incerteza e a vontade de buscar o próximo nível, no fim é o que acaba tornando a vida mais excitante em todas as áreas.

Neste site esse objetivo é chamado de “Teoria da Personificação”. É um convite para que diletantes deste tema se juntem para apoio mútuo, afim de se desenvolver e de alcançar uma compreensão cada vez maior nesse sentido.